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Histórias da Menopausa

O projeto “Histórias da Menopausa” tem como principal objetivo a partilha de conhecimento e experiências relativamente à menopausa – uma nova etapa da vida de cada mulher – para que esta seja vivida sem preconceitos, de forma descomplexada, informada e construtiva.

O último tabu, o sexismo e o idadismo unidos num só – A Menopausa.
O sexismo e idadismo (discriminação etária) cruzam-se em preconceitos e estereótipos, estigmas, violência e abusos, exclusão social.

Segundo a OMS – Organização Mundial de Saúde, uma em cada duas pessoas a nível mundial tem comportamentos idadistas contra pessoas mais velhas. O idadismo manifesta-se em todas as idades e contextos da nossa vida, e afeta todos os fatores da nossa saúde: bem-estar físico, mental, social e económico. A discriminação com base na idade também está associada a uma morte precoce, ou seja, quem é vítima de idadismo tem probabilidades de ver a sua esperança média de vida reduzida em 7,5 anos.

Dupla discriminação: envelhecer mulher.

Os investigadores revelam que os estudos do impacto combinado do sexismo com o idadismo, comprovam que concluiu as mulheres mais velhas – em relação a homens e mulheres mais jovens – sofrem um impacto negativo com múltiplas formas de discriminação. O termo “idadismo de género” foi cunhado para cobrir a interseção dos fatores idade e género, referindo-se desta forma às diferenças idadistas enfrentadas por mulheres em comparação com homens. As mulheres estão frequentemente numa situação de duplo risco. Fatores como as normas patriarcais e a preocupação com a beleza e juventude têm como consequência uma deterioração mais rápida do status das mulheres mais velhas em comparação com a dos homens.

Muitas mulheres referem que com a chegada da menopausa começa o primeiro passo para a sua invisibilidade e declínio, o grande medo do envelhecimento feminino.

A menopausa é uma fase altamente estigmatizante do ciclo de vida de cada mulher – apesar de ser uma etapa normal da saúde feminina.

Não se pode encarar a menopausa como uma doença, mas sim como um processo biológico natural caracterizado pela cessação de produção de hormonas pelos ovários.

Entrar na menopausa pode ser um momento profundamente difícil, no qual, por exemplo, a mulher é alvo de comentários e perceções negativas: “Velha, feia, gorda, histérica, irritadiça, assexuada, mulher seca que já não dá filhos – menos útil e capaz”.

Através das plataformas da Cabelos Brancos, iremos desenvolver várias iniciativas interligadas entre si, para impactar de uma forma esclarecedora e positiva todas as mulheres que vivenciam esta fase. Apesar, do que o próprio nome parece sugerir, não deveríamos continuar a fazer uma pausa na conversa sobre a Menopausa.

Queremos dar voz a mulheres reais, ouvir as suas histórias e testemunhos. Pretendemos também ouvir especialistas na área da saúde e prevenção de temas agregados à menopausa. Especialistas na área da ginecologia, dermatologia, sexologia, nutrição, desporto, sociologia, saúde mental, entre outros. Educa-se a mulher para a puberdade, menstruação e gravidez mas a menopausa ainda permanece um mistério para a maioria das mulheres. Visamos descomplicar a conversa científica, dar voz às histórias dos especialistas e das mulheres que seguem em frente. Combater estigmas e tabus, derrubar medos e construir uma nova narrativa sobre o envelhecimento feminino.

Nesta plataforma temos agregadas as várias informações, recursos e atividades do projeto:

  • Testemunhos de mulheres que vivem e seguem em frente após a fase da Menopausa;
  • Talks em forma de vídeos / lives nas nossas redes sociais (facebook e instagram) com convidados especialistas que agregam o universo da menopausa. Conversas descomplicadas que pretendem informar / derrubar preconceitos e estimular a interação com o público, respondendo a questões e dúvidas de forma aberta e acessível;
  • Informação temática que espelha a multidisciplinariedade do processo da Menopausa: o meu corpo, o meu sexo, a minha pele e cabelo, a minha cabeça…
  • Entrevistas, artigos, campanha de sensibilização e divulgação nas redes sociais da Cabelos Brancos em todas as fases do projeto “Histórias da Menopausa”;
  • Recursos educativos e transformadores que empoderam mulheres sem prazos de validade.

Este projeto conta com a parceria da Pantene – P&G 


CONVERSAS DESCOMPLICADAS

Lives nas redes sociais com especialistas que visam descomplicar a conversa científica sobre a Menopausa.

O primeiro live teve como convidada @patricia.charters Psicóloga, Terapeuta Familiar e praticante de Walking Therapy – modalidade terapêutica que integra a psicoterapia individual e o exercício físico em ambientes exteriores, isto é, a sessão deixa de ser dentro das quatro paredes de um consultório e desenrola-se caminhando na natureza. A menopausa não é apenas uma fase de transformações biológicas na vida das mulheres. Esta também causa modificações psicológicas variadas, as quais podem impactar o comportamento e o bem-estar.
Com Patrícia Charters visámos descomplicar a conversa sobre o tabu menopausa, falando concretamente dos impactos emocionais que esta fase de transição pode provocar na saúde individual, familiar e conjugal de cada mulher, e enumerar dicas práticas que podem ajudar as mulheres na adaptação a esta fase de transição, com o objetivo de melhorar a sua saúde emocional.

Cristina Mesquita De Oliveira, 56 anos, foi a convidada do segundo live. É a fundadora da VIDAs Associação Portuguesa de Menopausa e do MMDP – Movimento Menopausa Divertida Portugal. Principal dinamizadora do grupo de Facebook, página e Instagram do MMDP. Licenciada em Ciências da Comunicação e graduada em Marketing Farmacêutico. Profissional da Indústria Farmacêutica, casada e mãe. Participação em vários programas de televisão, bem como co-autora de artigos sobre processo de menopausa em jornais e revistas. Está neste momento a criar e executar um inquérito nacional sobre a Satisfação do Acompanhamento de Saúde da Mulher Portuguesa em Menopausa, cujos resultados serão levados em forma de petição à Assembleia da República, com vista a implementar medidas de apoio aos cuidados médicos e de saúde nesta fase da vida reprodutiva da mulher. Com Cristina Mesquita de Oliveira conversámos sobre os sinais, dúvidas e mitos que ainda rodeiam esta fase de transição da saúde feminina.

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Live: Menopausa sem segredosConvidada: Cristina Mesquita de Oliveira – Presidente da Vidas Associação Portuguesa de Menopausa.

Publicado por Cabelos Brancos em Quinta-feira, 25 de novembro de 2021

Karla Pinho é a fundadora e criadora do recente Programa Menopausa Leve, “um acompanhamento online para mulheres com mais de 40 anos que procuram um envelhecimento ativo, que sentem o corpo a mudar e precisam de mais atenção no período chamado climatério. O objetivo do programa é ajudar a desmistificar as sensações que antecedem a menopausa e como uma alimentação e suplementação pensada pode modificar o rumo da nossa vida, para uma maturidade com mais calma e carinho pelo próprio corpo.” Em 2014 Karla decidiu perder peso. Era o primeiro passo num percurso que a levou ao seu outro projeto intitulado @refeicoesleves .“Este projeto surgiu da sua própria necessidade de comer uma comida mais saudável, sustentável, real, sem perder o sabor de um bom tempero caseiro”. Os pratos são feitos à medida para cada cliente. Paralelamente está a frequentar uma pós graduação designada “Cuidado Integral da Mulher Madura – parteiras da maturidade”, pela universidade UNIPAZ.
Por último, é licenciada em História e possui quase uma década de pesquisa e experimentação na procura de novas soluções para uma Alimentação Saudável.
Neste live com Karla Pinho conversámos sobre o aumento de peso associado à fase que antecede a menopausa, o climatério, enumerando exemplos e dicas práticas de alimentação saudável nesta fase de transição da vida da saúde feminina.


TESTEMUNHOS

Testemunhos de mulheres que vivem e seguem em frente após a fase da Menopausa.

Sou feliz.

Tenho motivos que nunca acabam. Vivo num país sem guerra, numa cidade cheia de luz (Lisboa), nunca me faltou o que comer, o que vestir, o que estudar, o que trabalhar.
Família, amigos, animais, viagens e um optimismo irritante fazem o resto.
Nunca tive o desejo imenso de ter filhos. Posso até dizer com alguma certeza que nunca foi algo em que demorasse os meus pensamentos. Alguma paixão assolapada pode ter inebriado a minha natureza, mas como todos os sentimentos relâmpago também se sumiu sem deixar maiores anseios.

Há uns meses decidi deixar de tomar a minha fiel pílula. Uma montanha de anúncios a proclamar os malefícios da dita lá me convenceu.

Em pouco tempo, o já escasso período deixou de aparecer. Grávida não estava e com receio de alguma maleita por aí escondida marquei uma consulta. Com tempos de espera de dois a três meses para a ginecologista que me acompanha, arrisquei num desconhecido médico da especialidade com vaga para a semana seguinte.

A consulta correu bem, sem azo para grandes conversas ou simpatias. Análises prescritas e feitas regressei no mês seguinte.

Sem qualquer introdução comunicou-me:

“ Isto é uma pré-menopausa.

Tem filhos?

Então também já não os vai ter.”

Diante da minha cara desarmada e não preparada lá aligeirou:

“Quer dizer, é nestas alturas é que às vezes se engravida.”

Nada me recomendou, sem me olhar nos olhos e perante a ausência de resposta:

“Tenha lá paciência.”

Despedimo-nos com um aperto de mão.

Ao sair uma lágrima inesperada queimou-me o rosto experiente. Não consegui nem um ruído expressar. Andei pela cidade com passo rápido a fugir sabe-se lá de quê. Porque me estava a doer a alma? Não fazia sentido.

Quando parei abracei a mulher que sou. Respirei fundo ainda com algum custo e olhei para a frente e para trás.

Atrás uma vida que podia ter tido, que a sociedade me acusava de desperdiçar.
Para a frente eu, a mesma Ana, a mulher em que me transformei e que luto para melhorar.
Hoje apenas Ana, que não é mãe, mas que não é menor, que avança com naturalidade nesta nova fase. Que tem um caminho, mesmo quando os outros pensam que perdeu a melhor parte. Ó pessoal, se soubessem o que eu sei!

PS. Pelo sim pelo não regressei à pílula, não fosse o diabo tecê-las!

Marquei nova consulta, na médica que me acompanha, às vezes vale a pena esperar para garantir maior empatia e humanidade.

Ana C. 44 anos

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