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A espuma dos dias

Tenho a noção que com o acumular dos anos e que me vinculam a um estatuto definido de pertencer à casta da “Terceira Idade”, mais se somarão em mim, os sonhos de bem viver (sem ser “bon vivant”) mas transformados num conhecer contínuo do mundo, das suas gentes. Amo sonhar e sinto escrevendo. Aqui deixo um pouquito de mim neste desabafo que a seguir transcrevo:

Acordo tantas vezes

no meu dia a dia para descobrir

os quadros que de noite sinto dormindo.

E são telas coloridas de jardins

com bancos e mesas de quatro.

Estamos todos sentados

num dedilhar de cartas sem trunfos

do mesmo baralho da vida já gasto.

Mas pelos dedos longos mas não direitos

as cartas caiem na mesa

improvisada de sonhos

onde todos querem ganhar

nem que seja só por um.

Por um dia de vida que não chova

naquele jardim onde ainda corre

um rio de água para lavar as mãos

duma tarde lenta a deitar cartas

que não têm destino.

………………………………………………………………

Não são como as outras que levavam saudades

que contavam alegrias ou queixumes

escritas num jardim em tantas tardes.

José Caçapo

Poeta

Ilustração de Ohtsu Kazuyuki
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